Eu arrisco meus dissabores nesta mesquinha tentativa de aparentar lucidez. Quando a intenção impressiona, não se elaboram respostas plausíveis.
O piano continua martelando em minha fronte resignada.
Ao som de Mozart, minha pele muda sua tonalidade para um rubro fosforescente. Com seu toque acetinado explorando a gravidade das notas e capacidade extrema de expressão do ser, ousa-se.
É como se eu não negasse a subjugar-me a tranquilidade. Impedindo minha resistência, usufruindo da culpa?
Com esta sombra que reflete e flexiona minhas inconstâncias, réplica perfeita da solitude devassa que interrompe minhas ilusões amargas, ressecando meus lábios que febris proferem ácidos, plácidos... e roucos e sobrepostos acordes.
Tranquilizante e descritivo meu estado tardio de insolvência. Escrever cartas não é meramente um pretexto; sob prisma pretérito, a infinitude sempre foi tão translúcida; me assombro com os segundos restituídos embaixo da pele enrugada. Por que a manhã descreve círculos anteriores ao surgimento de meu olhar incrédulo e furioso? Sim, eu sempre preteri tardes dedicadas a minha procrastinação mental. Ser simplista é uma peculiaridade artística: qual hominídeo que ineditamente cortou superficialmente a ponta dos dedos com papel? Rememorar as linhas provavelmente não representa uma atitude tenaz.
O degradante é quanto estes cortes são conscientes. Quando resgatar memórias é preceito inconfundível de reconhecimento interno ou aquilo que me descrevo não é fiel e suficiente, não, não sempre...
As lembranças são inertes caso não se reconheça a relevância do ente recordação.









